Visite uma Unidade de Internação

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

Nos dias 10 e 11 de abril, participamos do Seminário sobre Violência contra Juventude, uma iniciativa do Projeto Legal em parceria com a Federação de Instituições Beneficentes do Estado do Rio de Janeiro (FIB/RJ),  Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), programa ViraVida e CEDCA-AL.

ads

Membros do projeto Adolescentes em Ação

O seminário foi realizado na Escola SESI, com a presença dos alunos do Programa ViraVida. O ViraVida foi criado em 2008 pelo Conselho Nacional do SESI, para apoiar meninos e meninas , entre 16 e 21 anos, que tiveram seus direitos violados, principalmente àqueles que sofreram violência sexual.  Os cursos realizados no programa combinam formação profissional e educação básica, além de atendimento psicossocial, médico e odontológico.

Além dos alunos do ViraVida, marcaram presença as meninas da Unidade de Internação Feminina do Estado de Alagoas (UIF).

Sabendo disso, realizamos pequenas oficinas itinerantes falando sobre Mídia e Direitos Humanos, Tortura nos Espaços de Privação de Liberdade e Racismo e Violência Policial. Os participantes se identificaram com todas temáticas e participaram sugerindo algumas ações. As três principais foram: criação de campanhas virtuais contra a violação de Direitos Humanos na Mídia, realização de oficinas sobre Direitos Humanos nas Unidades de Internação e nas Escolas, criação de portais sobre Direitos Humanos com uma linguagem de fácil entendimento.

ds

Monique Evelle, fundadora do Desabafo Social.

Após ter finalizado o seminário, fomos visitar a Unidade de Internação Feminina do Estado de Alagoas. Ouvindo os depoimentos e analisando a estrutura e a postura dos profissionais da UIF, a unidade é totalmente diferente de muitas outras. ” A gestão anterior não se preocupava com a gente, agora temos tudo. Temos aula de música, de artesanato, temos professores” , disse uma adolescente que está internada há 2 anos.

A Unidade de Internação tem 23 meninas atualmente. Atividades realizadas por voluntários inspiram as meninas à mudanças. “Todo mundo está sujeito a cometer um crime. Eu estou pagando e já mudei. Quando eu sair daqui, vou continuar estudando e entrar na faculdade”, desabafou a adolescente.

Todas meninas que estão na unidade cometeram algum ato infracional grave. Algumas já foram sentenciadas, outras estão em caráter temporário e outras em semiliberdade. O adolescente pode ficar até 9 anos em medidas socioeducativas, sendo três anos interno, três em semiliberdade e três em liberdade assistida, com o Estado acompanhando e ajudando a se reinserir na sociedade.

Segundo o Art 94 do Estatuto da Criança e do Adolescente:


Art. 94. As entidades que desenvolvem programas de internação têm as seguintes obrigações, entre outras:

VII – oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança e os objetos necessários à higiene pessoal;

VIII – oferecer vestuário e alimentação suficientes e adequados à faixa etária dos adolescentes atendidos;

IX – oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêuticos;

X – propiciar escolarização e profissionalização;

XI – propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer;

XII – propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas crenças


Os incisos acima destacados são os que conseguimos comprovar em um dia de visita e através dos depoimentos das meninas.  A estrutura e o tratamento na UIF, nos mostrou que é possível existir medidas socioeducativas que funcionem. A UIF de Alagoas é um bom exemplo que deve ser compartilhado com outras unidades de internação.
O Desabafo Social conversou com a coordenadora da UIF sobre a possibilidade de criarmos o Núcleo de Estudos Interdisciplinares na unidade. A resposta foi positiva e logo mais teremos novidades.
É impossível sair de uma unidade de internação pensando da mesma forma. Depoimentos, histórias, vidas, pessoas, adolescentes. São adolescentes que estão internados porque cometeram atos infracionais. Esses mesmos adolescentes conseguem tocar violina, fazer bordados, ler mais de 8 livros em um mês. “O governo nunca nos ofereceu aula de música. Esperou a gente cometer um crime pra nos enxergar”, desabafou a adolescente de 16 anos.
Depois desse seminário e da visita à unidade de internação, reforçamos a importância da #NÃOREDUÇÃODAMAIORIDADEPENAL. Visite uma unidade de internação. Visite mais de uma e compare. Ouça cada história e depois nos conte como foi e o que sentiu.

Comentários

Comentários

No comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Faça parte da nossa rede!

Fique por dentro que tudo que fazemos nos seguindo nas redes sociais!

   

Powered by WordPress Popup