Texto | Mariana Assis
Diante da realidade de restrições sociais impostas pela pandemia do novo coronavírus, quatro empresas uniram-se para somar esforços de levantar aporte financeiro para conter os efeitos da crise sobre os empreendedores. Criado com o objetivo de ser um fundo emergencial de microcrédito, o Fundo Periferia Empreendedora já investiu mais de 200 mil reais em empreendedores periféricos de todo o Brasil.
Na empreitada, estão juntos: a Escola de Negócios da Periferia para Periferia: Empreendeaí, cujo trabalho é capacitar novos empreendedores de favelas e periferias; a Firgun, uma fintech que contribui para a redução das desigualdades sociais a partir de crédito produtivo; Desabafo Social, laboratório de tecnologia sociais aplicadas à geração de renda, comunicação e educação; e a Impact Hub, que tem por missão decodificar as mudanças socioeconômicas, compreendê las e convertê-las em ações concretas.
O Fundo vai na contramão de muitas empresas públicas e privadas que dificultam o acesso a crédito à microempreendedores de periferias. Até o momento, 256 empreendedores se cadastraram para receber o microcrédito, e 61 deles já o receberam.
Esses créditos são de R$500 a R$3 mil para empreendedores periféricos enfrentarem este período de recuo na economia, com 120 dias de carência, parcelamento em até 20 vezes e política de juro zero. Esta funciona assim: será cobrado 1% de juros ao mês nas parcelas, porém os empreendedores que pagarem todas as parcelas em dia, não precisarão pagar as últimas. Nesses casos o empréstimo fica sem juros.
Na prática
Os negócios que mais solicitaram o Fundo são dos setores de Moda (22%), Alimentação (20%) e Prestação de Serviço (19%). Já o perfil dos cadastros são, em sua maioria, mulheres (66%); pretos e pardos (62%); e a região Sudeste (77%).
Um dos contemplados foi o André Luiz, sócio da TV Doc, que viu dois contratos importantes para a receita do empreendimento serem cancelados por conta da pandemia. Há 8 anos, sua produtora tem por objetivo valer-se do audiovisual para contar histórias inspiradoras de jovens das favelas da zona sul de São Paulo.
Com o Fundo, pôde refazer planejamentos e organizar frentes de atuação, que possibilitaram voltar a produzir. “Agora temos mais infraestrutura para oferecer, mais produtos, temos feito lives e, com isso, conseguimos reestabelecer estratégias. Hoje nós estamos investindo em documentários”, conta.
Entre os patrocinadores do Fundo estão as Casas Bahia, PayPal, Garin Investimentos e Próspera Family Office. Os empreendedores interessados no Fundo devem fazer o cadastro aqui.