Consciência negra, gênero e raça com Camila Pitanga

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Por: Brenda Cruz 

O projeto Mulher com a Palavra, realizado pela SPM-BA (Secretaria de Políticas para as Mulheres) junto com a Maré Produções Culturais, já está em seu segundo ano de existência e tem como intuito principal discutir o empoderamento feminino. Na última quinta-feira, dia 23 de novembro, aconteceu sua última edição do ano de 2017.

Com um histórico de convidadas como Elza Soares, Taís Araújo, Mc Carol, Elisa Lucinda, Preta Gil e Pitty, mediações de Rita Batista, Mayra Azevedo (Tia Má) e etc. Sua última edição contou com a participação de ninguém mais, ninguém menos que a atriz e diretora Camila Pitanga. Mediado pela jornalista baiana, mestranda multidisciplinar em Cultura e Sociedade, Vânia Dias.

Guiado pelo tema “Negra sim!”, o Mulher com a Palavra recebeu também a coordenadora de projetos voltados para o enfrentamento à violência contra as mulheres do Instituto Avon, Mafoane Odara. A junção de mulheres negras em um bate-papo informativo e fortalecedor sobre as diversas formas de opressões raciais que se intercalam com as questões de gênero, são iniciativas que devem ecoar por todos os quatro cantos do mundo. Nossos saberes unidos e compartilhados são de uma força ancestral e revitalizadora.

“É muito importante, a gente descobrir porque a gente está aqui, porque quando a gente fala “SOU NEGRA SIM”, isso é muito mais que uma afirmação identitária, é um posicionamento político.” – Mafoane Odara.

Com declarações incríveis de Camila e Mafoane sobre questões atuais como, estereótipos, a hipersexualização dos corpos femininos negros, a estética como uma forma de posicionamento político, os danos psicológicos causados pelo racismo e a política de ser uma mãe negra, a noite desta última quinta feira com toda certeza marcou e marcará a vida de todas e todos os presentes, que incluem até mesmo Antônio Pitanga, pai de Camila.

Camila contou para nós como está sendo a experiência de viajar ao lado do seu pai em exibições do documentário Pitanga dirigido por ela e Beto Brant, que também dirigiu “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” em que Camila foi protagonista. O documentário retrata a história, amores, encontros, a afetividade familiar e os caminhos cortados “a facão” por Antônio.

“A gente acabou de vir de Londres e tudo está conversando. O retrocesso político que a gente está vivendo, ressignificou o nosso longa metragem, ressignificou o sentido dessa geração que nos anos da ditadura estavam ali em movimento de resistência, estavam ali querendo pensar um modo da cultura falar sobre seu país, sobre a questão racial (…) E essa trajetória de sucesso que meu pai tem ela acaba trazendo uma reflexão para o que a gente está vivendo hoje.”, conta.

Apontando as novas formas de articulação, reflexão e enfrentamento ao racismo partindo de mulheres negras na atualidade, sem deixar de lado nomes como Conceição Evaristo e Eliane Dias, Camila fala que “estamos em uma transição muito bonita” e aponta que o filme Pitanga apresenta essa conversa, já que ela no auge da sua idade, ao lado de seu pai, pensa a trajetória inspiradora do mesmo para a comunidade negra, seja aqui no Brasil, ou em Londres, onde estavam. Camila conta também que a próxima parada da exibição é na Suíça. Com toda certeza Pitanga irá rodar os quatro cantos do mundo levantando reflexões, questionamentos e inspirando todas e todos os telespectadores. Estaremos na torcida!

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