OPARÁ SABERES: Djamila Ribeiro, ancestralidade e formação

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Por: Brenda Cruz

No dia 24 de outubro, aconteceu o primeiro dia do II Ciclo Formativo do Opará Saberes no Auditório de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Estado da Bahia (UFBA), que contará com atividades ainda no mês de novembro, que ocorrerão no Auditório do PAF I, da UFBA no Campus Ondina. A iniciativa Opará Saberes é um projeto idealizado pela Assistente Social, Professora e Doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo Carla Akotirene em conjunto com uma equipe de pessoas e organizações que traz como intenção principal fortalecer candidaturas negras ao mestrado e doutorado dando suporte às pesquisadoras/es que tratam das temáticas de saúde da mulher, violências de gênero, racismo institucional e prisionização.

O primeiro dia, marcado pela presença da Mestre em Filosofia, Feminista e Pesquisadora Djamila Ribeiro e do Professor Lourenço Cardoso que atuaram em mesas que discutiam sobre “O Pensamento de Simone de Beauvoir sob o olhar de uma filósofa negra” e a “Teoria do Pensamento Branco: Branquitude e Branquidade” temas esses indispensáveis para a construção, desmitificação e prática do pensar outros saberes, claramente, um dos maiores focos do evento.

A filósofa Djamila Ribeiro na sua conferência sobre Simone de Beauvoir e a discussão da sua visão sobre o feminismo e o universo feminino fala da relevância da inserção de pensadoras negras como Grada Kilomba, Patrícia Hill Collins, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro nos estudos e na academia, salientou sobre a importância da criação de estratégias e iniciativas para a permanência da juventude negra nas universidades, dos mecanismos de ocupação de espaços, da quebra de silêncio daqueles que tiveram suas vozes silenciadas e da desconstrução de uma visão anti academicista. Além disso falou um pouco sobre lugar de fala, tema do seu livro “O que é lugar de fala?” que faz parte da coleção feminismos plurais, e contará com a escrita de mulheres e homens negros com diversas temáticas importantes.

“Lugar de fala, é acima de tudo refutar o regime de autorização discursiva. É quebrar o regime do olhar universalizado. É entender a importância de fala por localização social, pelo compartilhar de experiências.” Djamila Ribeiro.

Em entrevista para o Desabafo Social, Djamila fala sobre a sua visão do futuro dentro da perspectiva de pluralidade de vozes “A gente vive um momento muito perigoso, a depender do resultado eleitoral do ano que vem. Eu acho que existe uma tentativa de calar essas vozes, já que essas vozes de certa forma conseguiram algum espaço. Mas também acho que tem um lado positivo nisso tudo, e ao mesmo tempo acho que não tem mais volta, tem uma galera que entendeu que não tem mais volta, que vai continuar fazendo essa disputa. E não tem um outro caminho a não ser resistir. A gente não pode também perder a nossa perspectiva histórica, nossos ancestrais desde o período da escravidão vêm resistindo, nosso dever é resistir, não tem outra opção.”, afirma. Djamila cita também Angela Davis ao dizer que “muitas das coisas que fazemos hoje, não veremos, e sim a próxima geração.” E relembra “para nós, povo preto, nunca foi fácil.”

Com depoimentos e falas marcantes em seu primeiro dia de atividades, o II Ciclo Formativo do projeto da Opará Saberes deixa evidente a importância de pensar estratégias e iniciativas para a visão por outras geografias de saberes, na iniciativa e continuidade das produções por pessoas negras para o universo acadêmico, além de auxiliar a inserção e permanência da juventude negra nas universidades. Com um misto de ancestralidade, força e afeto, a Opará Saberes nos mostra que a comunidade negra entendeu e está por partilhar a importância da ocupação dos espaços.

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