Síndrome da Sexta-Feira: Você tem?

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Por Sérgio Malheiros

 

A maioria dos brasileiros ama a sexta-feira. É uma paixão nacional, assim como o carnaval e o futebol.  A sexta representa a liberdade, o fim da opressão chefe-funcionário, professor-aluno, cliente-prestador de serviço. Embora, muita gente trabalhe no final de semana, especialistas em memes de Facebook alertam:

A SEXTA BOMBA!

Diferente do mundo, eu não gosto da sexta-feira. É claro que, na época do colégio e faculdade, o último dia da semana me trazia uma série de benefícios. Mas, depois dessa fase, a sexta começou a me deprimir. O final de semana, para mim, é um tempo morto onde eu fico 48 horas preso sem conseguir resolver nada.

ESCOLHA UM TRABALHO QUE VOCÊ AME E VOCÊ NUNCA TERÁ QUE TRABALHAR UM DIA EM SUA VIDA – Confúcio (ou algum outro filósofo).

Infelizmente, muitas vezes o trabalho não nos propicia tanta motivação e grande parte das pessoas aguarda, ansiosamente, o período de folga para se dedicar às atividades que realmente lhe agradam.

Mas por que isso acontece? Por que dedicamos tempo e esforço a tarefas que não nos trazem benefícios financeiros? Há pouco tempo, por meio de um curso online de criatividade do humorista (palestrante, professor, entre outras profissões) Murilo Gun, eu descobri o livro Beyond the boredom and anxiety (Além do tédio e da ansiedade – em português) do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi (pô amigo, não tem apelido não ?).

Resumindo, a teoria do cara é a seguinte: imagine um gráfico em que o eixo X corresponda às suas habilidades (sua capacidade para executar cada tarefa) e o eixo Y corresponda às suas tarefas (problemas, desafios, projetos).

2 h

Quando encontramos um alto desafio com uma habilidade baixa,  nos sentimos ansiosos. É claro que, se seu desafio é maior que você, suas chances de falhar serão altas. Entretanto, quando temos uma grande habilidade para alguma coisa e nos deparamos com uma tarefa pouco desafiadora, nos sentimos entediados.

Mas, o que acontece quando você tem uma grande habilidade para alguma coisa e encara um grande desafio, um desafio a altura da sua capacidade ? Aí acontece o que o nosso amigo Mihaly Csikszentmihalyi chama de FLOW, o estado de fluxo.

O flow é um momento em que o indivíduo se encontra completamente envolvido e absorvido por uma atividade extremamente agradável. É importante salientar que o Flow (como diria meu professor Murilo Gun) é situacional, cada tarefa que vc desempenha se enquadra em algum ponto desse gráfico.

Você provavelmente já passou pelo estado de Fluxo, tocando um instrumento, jogando aquela pelada no fim de semana, ou em alguma outra atividade na qual as horas passam como minutos.

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E se você também é fã da sexta, aí vai uma boa notícia: os avanços tecnológicos tendem a impactar cada vez mais o mercado de trabalho e a nossa vida. Como? Eliminando tarefas programáveis e parametrizáveis que nos fazem perder muito tempo. Isso nos trará mais tempo livre para nossas atividades de lazer. Aquelas em que normalmente alcançamos o estado de FLOW.

No início da Revolução industrial homens, mulheres e crianças trabalhavam cerca de 14 horas por dia nas fábricas. Hoje, apesar do números de horas de trabalho ter caído quase pela metade, os níveis de produtividade não param de subir. Isso é consequência direta dos avanços tecnológicos. Com o aumento da ajuda artificial, o homem conseguiu produzir cada vez mais, com menos esforço.

De acordo com as neurologistas Karina Fonseca Azevedo e Suzana Herculano-Houzel, em pesquisa publicada na Revista PNAS: “Se o Homo sapiens mantivesse a mesma dieta que os outros primatas, ele precisaria passar nove horas e meia por dia se alimentando. Para que seu cérebro pudesse se desenvolver, ele precisou adotar uma dieta que facilitasse a absorção de calorias, o que aconteceu com o cozimento dos alimentos.”

É isso mesmo! Nosso primeiro avanço tecnológico foi o fogo (Obrigado Prometeu). A partir daí pudemos cozinhar e economizar horas por dia, que seriam usadas para se alimentar. Depois disso, começamos a usar o fogo para diversos outros fins. O que acontece é que nossa evolução é exponencial. As descobertas tecnológicas, são matéria-prima para novas descobertas.

O futuro está cheio de incertezas, e temas como robótica e impactos no mercado de trabalho assustam algumas pessoas. Mas uma coisa é certa, não temos como escapar. A tecnologia avança como um furacão avassalador, e a cada mês dobra a sua performance, diminuindo o custo pela metade. O lado bom é que teremos mais tempo livre. E num mundo corrido como o de hoje em dia, essa pode ser uma notícia pra lá de animadora. Talvez os avanços nos permitam uma jornada de trabalho mais amena. E talvez, quem sabe, a sexta não bombe tanto assim.

*O autor é responsável pelo conteúdo deste artigo

 

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Monique Evelle

Idealizadora do Desabafo Social

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