Conjuntura política do Brasil e a população negra

jun 09, 2017
Gabriel Leal
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Por: Laura Augusta

O Brasil, país onde 54% da população é negra¹, 51,5% é formada por mulheres² e onde as mulheres negras são as maiores consumidoras dos serviços públicos de saúde, educação e segurança, tem movimentado nos últimos dias um enxame político de alto porte voltado para os diversos desfalques, golpes, e delações premiadas. A mídia televisiva de grande porte mantém o seu foco para os relatos conclusivos e inconclusivos das participações de representantes políticos em escândalos de corrupção enquanto os retrocessos ocorrem em massa e direitos garantidos em anos de lutas sindicais, Movimentos de Mulheres Negras, o Movimento Negro Unificado e movimentos e/ou entidades que minimamente se intitulam progressistas escorrem pelo ralo em apenas uma votação..

A falta de representatividade política sempre foi um problema para a população negra no Brasil, visto que a maioria das cadeiras ocupadas no Senado e na Câmara de Deputados são de representantes homens brancos e isso não pode ser categorizado como uma irresponsabilidade do eleitor negro em seu engajamento politico.na luta contra o racismo, mas ser encarado como um reflexo de lacunas históricas de negligência nas gestões políticas do país no combate ao racismo e a promoção de uma construção política conjunta, até o momento atual. Parafraseando a fala da Filósofa Sueli Carneiro, que se faz muito coerente “ Eu,entre a Direita e a Esquerda, continuo sendo preta” e assim a população negra segue assistindo e vivendo os retrocessos, presas num eterno 14 de maio onde ninguém nos “dá bola”.³

Deste fatídico cenário, escutamos e sentimos na pele o clima de crise geral com o desmonte dos programas sociais,congelamento dos investimentos públicos por 20 anos,reforma do Ensino Médio,privatização e desmonte dos bancos públicos,terceirização irrestrita,projeto da Reforma Trabalhista,projeto da Reforma da Previdência e todos os próximos movimentos que estão engatilhados, onde não há bala perdida. Todo esse desmonte tem endereço certo :A população pobre, periférica, a maioria trabalhista – A população Negra.

O itinerário da maioria da população brasileira hoje é a busca por emprego e se tratar de uma pessoa negra,a busca é 3 vezes mais árdua, E neste momento político, arranjar um emprego de carteira assinada significa também “negociar” parcelamento das férias, a redução salarial e o aumento da jornada acima do limite legal, podendo chegar a 12 horas diária. Arranjar um emprego terceirizado, também significa a garantia apenas de alimentação e transporte obrigatório e a imposição de  uma quarentena de 18 meses para recontratação de um trabalhador direto como terceirizado.A representação escravocrata misógina é tão forte que a reforma trabalhista inclui um projeto que visa  liberar gestantes e lactantes a trabalhar em ambientes insalubres, hoje expressamente proibido. A única condição é um atestado médico, que pode ser dado pelo próprio médico da empresa, ferindo o código de ética da profissão e concretizando a grande negligência – expressos em altos indicies – desses profissionais para com essa população, mulheres e negras

Com o despedaçar de políticas sociais como Minha casa Minha vida com aportes reduzidos, o desmonte do SUS, a extinção de programas como o Farmácia Popular ,Ciência sem Fronteiras e o gravíssimo retrocesso do congelamento dos gastos sociais pelos próximos 20 anos,conseguimos perceber com clareza quem sobrevive nesse território de crise,no país onde 12,9 milhões de analfabetos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), onde a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado ³*e  nos últimos 43 anos apenas 1% (270 mil pessoas)  mais rico da população responde por 48% da renda bruta gerada pelo 5% mais ricos (1,350 milhões de brasileiros), segundo relatório da secretaria de política econômica do Ministério da Fazenda.

A ferramenta que nos dá esperança frente a todo esse cenário é a mobilização popular e a proporção que as redes sociais tem dado as diversas manifestações e a todos os acontecimentos, aumentando a angústia e potencializando o direcionamento da luta na exigência de uma construção conjunta, já que a maioria da população é negra, como ponto de partida para a revogação dos retrocessos e a reconstrução de ações afirmativas e projetos políticos que garantam a equidade racial e a integralidade dos serviços a população.

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