Precisamos Conversar!

fev 21, 2017
Maisa Diniz
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Por Maisa Diniz

A desigualdade salarial entre gêneros é de cerca de 30% em todo o mundo segundo a ONU. As justificativas para explicar esse dado variam muito, mas dentre elas existe um viés para uma possibilidade de ação.

miki-porco-cofre-moedaE se nós mulheres simplesmente falássemos?! Isso mesmo! Afinal, ninguém conta numa roda de amigas que o dinheiro está sumindo da conta, ou que nunca teve uma reserva financeira. Ninguém comenta com a manicure que está endividada e com medo de perder o emprego. E muito menos assume para as irmãs que não se divorcia porque é sustentada pelo marido. Nem mesmo que faz anos que está tentando pedir um aumento salarial, mas não tem coragem, nem argumentos, nem forças.

Esse tema traz muitos aspectos invisíveis. Alguns deles vividos por Cinderela. Aquela mulher linda, extremamente educada e que nasceu para agradar. Ela está sempre sorrindo, passiva, fala pouco, e quase não tem vontades próprias. Falar “não”, jamais. Ela é extremamente obediente, se veste de forma discreta e é muito respeitosa. Enfim, depois de se tornar escrava dentro de sua própria casa, ela simplesmente recebe a visita de uma fada madrinha. E assim, se casa com um príncipe e eles vivem felizes para sempre.

Moral da história: sorria, fique calada e obedeça. Um dia você será recompensada.

Triste fim para nós, pois isso não vai acontecer. É bom lembrar, fadas não existem, casamento não é sinônimo de felicidade eterna e recompensas não caem do céu. Pobre Cinderela, sua história não inspira, ela entristece. Cinderela não conheceu o maravilhoso e libertador poder da “negociação”.

Imagine a possibilidade de talvez negar um escopo de trabalho extra quando não há perspectiva de promoção, ou simplesmente não fazer horas extras de graça. E limpar a casa só se for junto com o parceiro. E revezar na hora de levantar de madrugada para cuidar das crianças. E quem sabe não fazer o jantar se não estiver com vontade, afinal podemos pedir uma pizza.

E se nós fôssemos capazes não apenas de falar, mas também discordar. E até mesmo pedir licença para dar lugar ao egoísmo. Expressar nossa opinião e expor nossas necessidades. Afinal, nenhuma empresa vai te presentear com um benefício de creche do dia para a noite, muito menos adivinhar que é preciso uma sala exclusiva para mulheres no período de amamentação para que possam ordenhar. E jamais decidirão por uma promoção salarial só porque você é sempre pontual e está trabalhando duro há muito tempo.

Vivemos em uma sociedade puramente competitiva. Entenda, é preciso deixar claro que você é prioridade. Levantar o braço, falar, insistir e se expor é essencial. Tome o risco. E se você disser alguma besteira, tudo bem, são as suas imperfeições que fazem de você quem você é. Tenha orgulho das suas conquistas, saiba seu valor, e acostume-se a incomodar, eventualmente você terá que abandonar seus sapatinhos de cristal.

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