Sobre as Questões de Saúde Pública

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

2015_08_saude_publica1_reproducao

Por: Bruno Patrocinio

No imaginário popular, sabe-se que a saúde pública ocupa um terreno complexo. O problema é que, na prática, esse terreno parece ser ainda mais extenso e obscuro. As questões de saúde pública são aquelas que devem ser amparadas pelo Estado por meio de medidas sociais, políticas e econômicas que promovam a garantia da manutenção do bem-estar físico, social, psíquico e emocional de todo o coletivo populacional. “Se houver uma parada da distribuição de água para um determinado bairro durante uma semana, por exemplo, esse fato irá afetar a saúde e o bem estar dos moradores, logo, se configura como um caso de saúde pública, ainda que, neste caso, não seja o serviço de saúde que irá resolver o problema, até porque a saúde não pode ser tratada apenas pelo serviço de saúde, faz-se necessário que todos os setores estejam interligados para garantir a manutenção do bem estar coletivo’, afirma Juliana Santana, 19 anos, estudante do curso de enfermagem na UFBA.

Sendo assim, pode-se afirmar que é responsabilidade do Estado garantir os meios e as medidas para as garantias do bem-estar populacional, porém os cidadãos não podem se esquecer que possuem o dever de zelar pela manutenção destas medidas.

Além das falhas evidentes na manutenção da saúde pública nacional – falta de cobertura completa de serviços de saúde em todos os locais do território brasileiro, hospitais sofrendo superlotações, falta de mão de obra médica, falta de financiamento adequado para a saúde, etc. – existem os problemas igualmente importantes e urgentes que são subnotificados e negligenciados tanto por parte do Estado quanto por alguns indivíduos. Isto leva que de maneira equivocada, muitas vezes, não se considere o aborto, o suicídio ou até mesmo o sedentarismo como questões de saúde pública.

Segundo dados revelados por uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apenas no ano de 2013, mais de 865 mil abortos clandestinos foram realizados em solo nacional [1]. Fica claro, desta forma, que ainda que haja uma restrição sob forma de lei contra a realização do aborto – salvo exceções previstas na própria lei – o fato ocorre em larga escala de maneira ilegal. Pode-se afirmar, portanto, que esta condição de ilegalidade se estabelece de forma mais danosa à manutenção do bem-estar das mulheres do que o aborto em si e sendo assim se constitui como uma questão de saúde pública. Desta forma, visando a redução dos danos físicos, psíquicos e muitas vezes letais que os métodos clandestinos que inúmeras mulheres se submetem ocasionam seria preciso pensar acercar da legalização do aborto com assistência dos serviços de saúde públicos.

Já em relação ao suicídio, 12 mil casos foram registrados no Brasil em 2015 pela OMS – Organização Mundial da Saúde [2]. O suicídio não pode ser considerado apenas uma escolha individual. É um atentando contra a própria vida que pode ser o retrato de aspectos sociais problemáticos e que podem estar contribuindo para a desvalorização da vida e assim também é encarado como questão de saúde pública. A oferta de ajuda é extremamente importante na prevenção de um suicídio. Isso pode ser obtido oferecendo-se treinamentos para os agentes de saúde de todos os setores para que os mesmos sejam capazes de identificar indivíduos potencialmente suicidas e encaminhá-los para os profissionais especializados em clinicas igualmente especializadas em psiquiatria e suicidologia. Desta forma, cria-se alternativas mais contundentes para frear os casos de suicídio.

Por fim, no ano de 2008 – segundo dados do próprio Ministério da Saúde – o Brasil possuía 30% de indivíduos sedentários compondo sua população [3]. O sedentarismo é uma condição de vida associada a falta de realizações de atividades físicas regulares. O sedentarismo é um propagador de riscos para doenças graves, como, as doenças do coração. É função do Estado, também garantir gratuitamente condições para que os indivíduos realizem exercícios físicos sendo, portanto, o sedentarismo também uma questão de saúde pública. Desta forma, as cidades precisam oferecer possibilidades de planejamento visando o bem-estar populacional. Com a criação de mais ciclovias, espaços para caminhadas e parques, além de garantir uma segurança pública de qualidade para que as pessoas possam desfrutar despreocupadas dos espaços públicos.

Referências:

[1] http://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2014/09/28/interna_nacional,573606/cerca-de-865-mil-mulheres-fizeram-abortos-ilegais-no-brasil-em-2013.shtml

[2]

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/09/05/com-12-mil-casos-ao-ano-brasil-pode-ter-semana-para-discutir-suicidio

[3]

http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2008-03-10/sedentarismo-e-questao-de-saude-publica-afirma-especialista

Comentários

Comentários

Faça parte da nossa rede!

Fique por dentro que tudo que fazemos nos seguindo nas redes sociais!

   

Powered by WordPress Popup