Outubro das mulheres – Pontos sobre Saúde da Mulher que precisamos lembrar

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Por: Laura Almeida 

O mês de outubro é considerado o mês de combate ao câncer de mama. Esse movimento começou nos Estados Unidos para estimular a participação da população no processo de prevenção.  A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença. Este é o tipo de patologia mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

No Brasil, esse mês é referenciado pela saúde das mulheres e várias ações que envolvem exames preventivos, auto exame de mama, discussões sobre sexualidade, maternidade e outros procedimentos de prevenção que envolvem a questão dos direitos reprodutivos da mulher são espalhadas pelo país, como uma forma incipiente de falar sobre a nossa saúde. Em grande maioria das vezes, o conglomerado útero-mama vem sendo protagonista de uma história onde os cenários são múltiplos, assim como as demandas.

Nesse sentido é necessário lembrar de alguns pontos importantes para pensar como tem se dado no Brasil a integralidade da saúde das mulheres:

  1. O estudo “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres”, mostra que 50,3% dos Feminicídios no Brasil são cometidos por familiares². Desse total, 33,2% são parceiros ou ex-parceiros. Enquanto o número de homicídio de mulheres brancas caiu 9,8% entre 2003 e 2013 (de 1.747 para 1.576), os casos envolvendo mulheres negras cresceram 54,2% no mesmo período, passando de 1.864 para 2.875.
  2. No Brasil, as doenças hipertensivas constituem a principal causa de Morte materna, que é a morte de uma mulher durante a gravidez, no parto ou até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez, responsáveis por um terço dessas mortes. Toda gestante deve ter a pressão arterial verificada sempre que for à consulta de pré-natal.
  3. A morte materna por toxemia gravídica (a primeira causa de morte materna no Brasil) é mais freqüente entre as mulheres negras³. Eles revelam que a taxa das mulheres negras é quase seis vezes maior do que a de mulheres brancas. Em razão de serem, em sua maioria, chefes de família sem cônjuge, mas com filhos, a mortalidade materna de negras conseqüentemente relega à orfandade e à miséria absoluta um número significativo de crianças.
  4. Mulheres portadoras de anemia falciforme apresentam maior risco de abortamento e complicações durante o parto (natimorto, prematuridade, toxemia grave, placenta prévia e descolamento prematuro de placenta entre outros). Como esta doença é mais prevalente entre as negras, elas estão expostas a um maior risco durante a gravidez e, portanto, necessitam de um acompanhamento mais intensivo.
  5. A esperança de vida para as mulheres negras é de 66 anos, enquanto que para as mulheres brancas é de 71 anos. Há um potencial patogênico das discriminações sobre o processo bem-estar/saúde e doença/mal-estar, e como a mulher negra está na intersecção das discrimina- ções raciais, de gênero e de classe social, torna-se maior o risco de comprometimento de sua identidade pessoal, imagem corporal, seu autoconceito e auto-estima.
  6. A taxa de homicídio para as mulheres indígenas era, em 2012, de 7,3 mortes para cada 100.000 mulheres. Além de proporcionalmente falecerem mais em decorrência de homicídios, a taxa de suicídio observada entre as mulheres indígenas também era surpreendentemente alta, a saber 5,8 mortes para cada 100.000 mulheres, ou seja quase 260% mais alta que a média nacional para a população feminina (2,2 mortes para cad4 ³0.000 mulheres).
  7. No Brasil em 2014 , a cada 100.000 mulheres, 4,1 morreram em decorrência da AIDS, sendo que as Regiões Sul, Sudeste e Norte – com 6,1 mortes, 4,4 e 4,3, respectivamente – apresentaram taxas de mortalidade mais altas que a média nacional. As taxas de mortalidade de AIDS apontam que as mulheres entre 40 e 49 anos eram as que mais morreram em decorrência de complicações da AIDS: 10 mulheres para cada 100.000.
  8. O Brasil é o país onde mais ocorrem assassinatos de mulheres trans e e travestis em todo o mundo, segundo um relatório da ONG internacional Transgender Europe. Entre janeiro de 2008 e abril de 2013, foram 486 mortes, quatro vezes a mais que no México, segundo país com mais casos registrados.

Os pontos apresentados acima revelam que apesar das instituições de saúde utilizar a prevenção do câncer de mama e útero todos os anos para pautar as demandas de saúde da mulher, os dados mostram que os determinantes sociais da saúde gritam a necessidade urgente do fortalecimento das redes de atenção e assistência para a promoção de saúde de todas as mulheres e principalmente daquelas que não tem acesso ás informações e serviços de saúde e proteção ofertados.

Além desses pontos, é necessário lembrar que as mulheres quilombolas, rurais e indígenas não tem o mesmo acesso á saúde que as mulheres que estão próximas a rede de assistência urbana.  Estudos têm demonstrado menor acesso e consequente menor utilização de serviços de saúde por populações rurais, associados à menor disponibilidade de serviços, grandes distâncias a serem percorridas, dificuldades de transporte e baixa renda¹. Nas comunidades quilombolas, o isolamento geográfico, os horários de atendimentos, as longas filas e o tempo de espera têm sido apontados como fatores que explicam, pelo menos parcialmente, a menor prevalência de utilização de serviços de saúde

A saúde precisa deixar de estar grudada no foco da doença/cura e sair do monopólio biomédico-centrado abrindo as portas para a construção das diversas formas de conceituar saúde e dialogar com os diversos trajetos realizados pelos sujeitos. Garantir a integralidade e a universalidade do acesso é dever do estado. Precisamos ampliar os horizontes do cuidado e pensar numa perspectiva de saúde que seja  equânime para todas.

¹ Utilização de serviços de saúde por população quilombola do Sudoeste da Bahia, Brasil –  Karine de Oliveira GomesI,II; Edna Afonso ReisII; Mark Drew Crosland GuimarãesII; Mariângela Leal CherchigliaII
² Mapa da Violência 2015 – Homicídio de Mulheres no Brasil – Julio Jacobo
³ Atenção à Saúde das Mulheres Negras – Rede Feminista de Saúde – www.redesaude.org.br
RASEAM – Relatório anual socioeconômico da mulher – Março/2015
International Transgender  Europe  – http://tgeu.org/

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