Escambo de ideias #08 : Participação Política

jul 28, 2016
Laura Almeida
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A 8ª edição do Escambo de ideias, com a temática “participação política”, aconteceu na última terça, 26. Mediado pela Auxiliar de pontes do Desabafo Social, Laura Almeida, o evento teve como convidadas Sueide Kintê, Dayse Sacramento e Sandra Munõz para discutir como a atual conjuntura política influencia em nossas pautas cotidianas, enquanto mulheres negras, como se dá a nossa representatividade e a ausência desta no cenário político atual e denunciar o atual processo de retrocessos que atingem diretamente a nossa população.

Durante a discussão alguns pontos foram ressaltados, dentro dos retrocessos já postos, a implicação no cotidiano de nós, mulheres negras, que somos maioria da população e ainda assim as nossas pautas são excluídas da representações políticas nacionais, tirando a nossa voz e várias conquistas de anos de luta dos movimentos de mulheres negras e fazendo um recorte municipal (Salvador), como o atual governo tem silenciado demandas das mulheres negras e priorizando uma fachada turística.

“O momento atual é um momento de vai ou racha e o que nós , mulheres negras, estamos dizendo é que não vai. Vai rachar! A gente está quebrando, quebrando mesmo! E a gente precisa, enquanto país, enquanto Estado, nação, encontrar uma solução e se a solução não tiver mulheres negras, não poderá ser chamada de solução.” Disse Sueide Kintê.

No sentido da educação, no âmbito municipal de Salvador, Dayse Sacramento comenta a partir da sua experiência em sala de aula. Ela trouxe que a discussão de gênero e diversidade foi destituída por conta da formação de um estado evangélico que reproduz um discurso forte de intolerância religiosa. Ainda sobre a educação, Dayse aponta o retrocesso do Plano Municipal de Educação, visto que mulheres são atravessadas pela violência todos os dias, tendo dados alarmantes em todo Brasil, mas principalmente no Nordeste. O feminicídio, para ela, é algo destinado para as mulheres negras e não discutir isso na escola é perigoso, pois deveria ser um lugar de combate ao fundamentalismo religioso e isso implica de como essa violência está nesse espaço chegando para as alunas e as professoras. Ela ressalta o projeto da “Escola sem partido” onde a criticidade e a prática docente é criminalizada e aliada a precarização do trabalho, reforçando a misoginia.

“A gente vivencia uma banalização das nossas vidas e a escola se retira dessa discussão quando temos uma câmara de vereadores que simplesmente não tem nenhuma discussão com a sociedade civil, com professores e professoras,profissionais de educação, pais, mães e responsáveis e a discussão simplesmente não existiu e não se discute mais gênero nas escolas nem diversidade sexual. E ai eu fico pensando o que é que sobra pra gente?” Disse Dayse.

A pauta racial nas organizações de esquerda  e especificamente a pauta do feminismo negro e de como a esquerda branca silencia a pauta das mulheres negras foi um dos temas abordados nesse escambo. Foi ressaltado, por exemplo, que a população negra serve apenas para apoio eleitoral, ou seja, segurar bandeira ou pedir voto. Fica muito difícil construir com a esquerda, sendo massa de manobra, sem possibilidade de fala e espaço de proposição. O modelo desfavorável de conjuntura atual influencia nossas ações e Sueide Kintê relata sobre como isso influenciou seu projeto Mais Amor Entre Nós.

“Acho que a conjuntura incentivou para o sucesso da campanha, pois quanto estamos em momentos desafiadores, de maior violência a tendência é se aglutinar e buscar alternativas não oficiais. […] As mulheres são como águas e água sempre encontra um caminho.” Disse Sueide.

Sobre a universidade como espaço de reprodução e manutenção de violência, Sandra Muñoz fala das movimentações já realizadas na Universidade Federal da Bahia (UFBA) sobre os casos de violência contra a mulher e ressalta que a UFBA poderia ter feito uma avaliação desses 70 anos de quantas violências ocorreram e foram silenciadas nesses tempos e pensar nas condições que as mulheres negras permanecem estudando na faculdade. Ela também trouxe a questão do aborto enquanto saúde pública e da urgência de uma nova política de drogas, sendo que nessas situações a mulher negra se encontra sozinha e continua morrendo. “Acho que a questão do aborto e do extermínio da população negra andam de mãos dadas.” Disse Sandra.

Assista através desse link: Escambo de Ideias: Participação Política #08

O Escambo de ideias acontece mensalmente com temáticas que são importantes para pensar educação em direitos humanos e as implicações no nosso cotidiano. Quer sugerir um tema? Nos mande por inbox ou por e-mail contato@desabafosocial.com.br.

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