Dia do jornalista: e eu com isso?

abr 12, 2016
Gabriel Leal
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**Caroline Musskopf

O dia da(o) jornalista é comemorado 7 de abril, como muitos sabem. Entretanto, existe uma urgência bastante grande de discussão para qual é o papel desse profissional da comunicação dentro do processo de formação do padrão ético do nosso país. Note que falei em ética, não em moral. Não se trata aqui de estabelecer normas, códigos e regras a serem seguidas por medo das consequências legais ou coercitivas; mas sim daquilo que tange os princípios de cada um de nós. Daquilo que nós somos quando não tem ninguém olhando.

Não é de hoje que diversos autores e pesquisadores trabalham com a ideia de que as opiniões dos indivíduos de uma sociedade são formadas, entre outros fatores, através dos veículos de comunicação de massas. O rádio, por exemplo, foi amplamente utilizado no governo de Vargas, para autopromoção, objetivando atingir toda a população. Mesmo antes disso, em 1922, Walter Lippmann já publicava o seu livro “Opinião Pública”, que fala um pouco sobre essa influência em potencial que as mídias possuem.

Entretanto, o que nós vemos diariamente na imprensa brasileira é a tentativa de se isentar desse papel social de comunicar com consciência das consequências mais amplas. A “objetividade” e “imparcialidade” norteadoras do jornalismo parecem ter virado justificativas para que este não exerça mais o seu papel como elemento democrático. Na tentativa de ser um jornalismo “sério” e de referência, a mídia tradicional silencia vários grupos sociais os coloca em um lugar de fala inexpressivo.

Tudo isso quer dizer que, quando alguém se propõe a exercer essa profissão, precisa estar ciente de que tudo o que é comunicado para a população e, principalmente, a maneira e o recorte escolhidos para tal, possuem uma enorme carga de significado e irá contribuir fortemente para a formação das opiniões e dos padrões éticos vigentes. Nós, profissionais da comunicação, não podemos passar quatro anos (no mínimo) dentro de uma universidade, debatendo sobre filosofia, história e valores éticos, para entrar para o mercado de trabalho e fazer exatamente o oposto ao que nossos textos acadêmicos diziam.

A luta pela democratização da comunicação está sim muito presente em toda essa discussão, mas também a maneira como os jornalistas da mídia tradicional se colocam em relação a tudo isso. É fácil escrever sobre corrupção sem precisar olhar para o próprio umbigo e sem repensar, diariamente, o mundo que vivemos.

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