Moinho Meu

dez 10, 2015
Maisa Diniz
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Por Maísa Diniz

Andei ouvindo algumas frases tão boas que trazem até um sorriso bobo, assim meio sem motivo, sabe? Uma delas é de Érico Veríssimo, “Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. A outra é de Ulysses Guimarães, “Se você acha esse Congresso ruim, espere o próximo”.

São tantas polêmicas sendo evocadas ao mesmo tempo que tudo anda muito sério. E a necessidade do rótulo somada ao cômodo costume que temos de transferir a culpa de tudo que nos acontece para o próximo, que anda gerando muito sermão por aí. A bronca que a Gabriela Pugliesi levou outro dia, através de uma carta aberta, só prova isso. Se você faz academia e segue uma dieta saudável, é louco (ou vítima da ditadura da beleza). Mas se você não faz academia e come tudo o que sente vontade é preguiçoso, ou indisciplinado. Se trabalha muito, é ganancioso demais, se não trabalha, um desocupado. Tudo binário, ou é certo, ou errado. E ponto.

No fundo, somos todos donos da verdade num grande furacão de dedos na cara. Uma rotina que anda deixando nossas redes sociais cada vez mais brochantes. Deixa a Pugli malhar gente, deixa o Gregório fumar um. Porque não?

É uma mania, meio trovadoresca, de pregar um romantismo que só acontece no papel. A verdade é que esses tabus acontecem todos os dias, quer dizer, nós os praticamos todos os dias. Ou vai dizer que você nunca fumou um baseado? E que não tem um amigo que fuma? E não faz planos para um ano novo mais saudável?

Hoje o Brasil nunca esteve tão careta, tão quadrado, blogueiras e políticos. Afinal, assistir um partido que tem as palavras “Social” e “Democracia” no nome flertar com a ideia de uma gestão militar dá urticária. Eu prefiro deixar meu coração palpitar com uma gestão pública capacitada, com foco no resultado, e todo aquele papo chato de meta, produtividade e tal.

De resto, vou embalando meu moinho, tentando (eu disse, “tentando”) acordar mais cedo para encarar uma esteira, fumando um baseado depois de um dia estressante de trabalho e tendo a certeza de que não sou louca, nem maconheira. No fundo mesmo sou uma fraude, eu, como tantas outras.

E enquanto o moinho vai girando, ficamos por aqui aguardando o próximo Congresso.

 

 

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