Desigualdades Sociais e o Sofrimento Difuso

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Por: Laura Almeida

 

O fenômeno da desigualdade social toca em vetores do campo econômico, social e político, porém é necessário pensar sempre atrelando aos campos da saúde mental. Esta, que em muitas vezes a acessibilidade de cuidado é difícil e é excluída muitas vezes das discussões sobre a invisibilidade das classes sociais menos favorecidas, esquecendo das estratégias de enfrentamento e da capacidade de resgate pessoal do sofrimento psíquico a que são submetidos os mais pobres.

O processo de inclusão/exclusão social delimita o que é norma e desvio, dinamizando e reverberando as formas multidimensionais de seus mecanismos, excluindo os indivíduos e grupos das suas trocas sociais, práticas e direitos de integração e identidade. Além disso, não podemos deixar de lado o universo do consumo, onde ambas faces da sociedade sobrevivem em um mesmo espaço em que as oportunidades e os valores dos bens não são os mesmos para todos.

Partindo disso, o sofrimento difuso – mal-estar físico ou moral – torna-se fator fundamental para compreensão desses fenômenos e para a articulação necessária com as redes de saúde, pois são detectáveis mas não diagnosticáveis através de exames laboratoriais. Observar por essa ótica significa trazer o enfrentamento dessas questões sociais para dentro da ideia de saúde, é se preocupar com a forma em que as situações de vulnerabilidade são vividas e os significados que cada indivíduo atrela a esses fatos, com seus sofrimentos e o isolamento social perante a ineficácia, ou ausência, das políticas públicas, enxergando a capacidade de resiliência para romper com o circuito das capacidades adversas.

Outro agravante é a forma que a invisibilidade social toca de forma vertical os sujeitos que estão fora da noção capitalista de utilidade, que são ditos não funcionais ou necessários para a sociedade. Dentro disso, os excluídos desnecessários, os quais não produzem renda, são violentados pelo estado na ausência de garantia de direitos e ocupam o lugar social de ameaça e transgressão de leis. Estes não são vistos pela sociedade, diferente do excluído que é funcional para a mão de obra dos pilares capitalistas.

Sabendo que esses fenômenos funcionam mutuamente e ciente da nossa participaçã.o nos mesmos, é necessário que além de reformas políticas voltadas para as populações vulnerabilizadas socialmente, fortalecer a rede de vínculos sociais e de assistência, compreendendo o sofrimento difuso como fator carente de cuidado, não apenas na perspectiva do sujeito mas também na formação do profissionais de saúde/assistência, dando passos em direção á autonomia dos sujeitos e na construção de novas perspectivas de história.

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