II Simpósio de Gênero e Sexualidade discute direitos humanos e laicidade do Estado em Campo Grande – MS

maio 26, 2015
Ana Laura Maziero
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A segunda edição do Sigesex (Simpósio de Gênero e Sexualidade) teve como objetivo dar continuidade ao debate acadêmico, baseado na laicidade do estado, nos direitos humanos, nas concepções teóricas de gênero e de sexualidade; e foi realizado pelo Laboratório de Estudos de Violência e Sexualidade da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (LEVS/ UFMS), nos dias 20, 21 e 22 de maio, em Campo Grande – MS.

Sob o tema “Corpos Vigiados e Laicidade do Estado”, o Simpósio discutiu também sobre “A teoria do gên”ero”, “Violência sexual e as redes de atenção às mulheres vítimas: as representações sociais dos gestores”, “O desafio da laicidade e o ensino sobre gênero e sexualidade na universidade” e “População LGBT e o Estado brasileiro contemporâneo” e “O queer decolonial”.
“Somos nossas próprias algozes”

No espaço para debate do segundo dia de palestra, a Profa. Dra. Zaira de Andrade Lopes (UFMS) relatou sobre o papel que as mulheres, mesmo inconscientemente, assumem – a de incucadoras do machismo nos próprios filhos, através da perpetuação de determinadas atitudes na formação destes.

“A masculinização da mulher no poder”

Ao comentar as relações de poder no Brasil e da ocupação destes por mulheres, a Profa. Dra. Ana Maria Gomes (UFMS) comentou acerca da masculinização atribuída à presidente Dilma Rousseff por certos veículos de comunicação, principalmente por meio de satirizações desqualificadoras.

Grupos de Trabalho 
Nos Grupos de Trabalho, os temas “Cultura, gênero, sexualidade e educação”, “Meu corpo me pertence: corpos vigiados”, “Micropolíticas dos modos de vida minoritários”, “Gênero, sexualidade, poder e resistência” e “O gênero masculino e seus estudos na contemporaneidade” foram expostos e depois dialogados.

A colaboradora do Desabafo Social no Centro – Oeste, Ana Laura, participou do Grupo de Trabalho sobre a temática “Meu corpo me pertence”. Os trabalhos apresentados foram: “Passando por cima do cadáver de quem? Poderes e resistências sobre a saúde das mulheres no Brasil”, das sociólogas Greciane Martins de Oliveira (UFGD – Dourados – MS e AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras); Nathália Eberhardt Ziolkowski (AMB), no qual o Estatuto do Nascituro (Projeto de Lei 478/07), a legalização do aborto, a saúde da mulher e as tramitações desses assuntos no Legislativo brasileiro foram abordados.

Já o tema “Estresse ocupacional em mulheres policiais militares de Campo Grande – MS”, trazido pela Profa. Ana Maria Gomes, doutora em ciências sociais pela Universidade de Sorbonne (França), partiu de uma pesquisa de campo da professora, tendo como base de dados os atendimentos psicoterápicos às mulheres entrevistadas e seus relatos. Segundo ela, a entrada das mulheres na Polícia Militar, nos anos 1980, durante o processo de redemocratização do país, não foi acompanhada de uma mudança de estrutura dentro da instituição, que visasse atender às novas demandas de tal grupo. Assim, muitas mulheres da PM passaram a figurar principalmente em cargos administrativos. Além disso, houve destaque para as necessidades fisiológicas do corpo da mulher policial durante o exercício de sua profissão, tais como a amamentação e menstruação, e como esses fatores interferem no cotidiano de trabalho desta. O estresse ocupacional também seria motivado pela intensa dualidade de ambientes (a casa e o trabalho), pelas relações de gênero (homem – mulheres policiais), como o treinamento, – o qual pouco se diferencia no tocante à mulher – até reclamações de chacotas sofridas por companheiros de trabalho.
No debate acerca do tema “Mercado sexual e Trabalho: conversas entre mulheres para compreender a realidade e atuar na garantia de direitos”, trazido pelas autoras Estela Márcia R. Scandola (Escola de Saúde Pública de MS) e Silvana Colombelli P. Sanches (IFMT), argumentou – se sobre os estupros coletivos ocorridos em aldeias indígenas na cidade de Dourados – MS, e como a ida de indígenas para trabalhar em destilarias na cidade impactou o cotidiano dessa população.
O mestrando Tássio Acosta Rodrigues (UFSCar) trouxe a temática “Não apenas o exército islâmico apedreja LGBTs: relatos de uma entrevista com uma travesti apedrejada em uma escola do interior de São Paulo”, e tratou acerca da normalização e legitimação da violência, a exclusão desse segmento social no processo educacional, a diferenciação de gênero na formação identitária, a disciplinação dos corpos, bem como políticas de inserção social de travestis em Sorocaba – SP.
A respeito do bullying, o doutorando em psicologia pela UFMT, Arthur Galvão Serra, expôs sua tese “Projeto de intervenção antibullying como forma de engajar a comunidade e escola de forma alternativa a heteronormatividade”, resultante de seu trabalho em uma escola pública de Campo Grande. O psicólogo trabalhou com adolescentes entre 15 e 17 anos do AJA (Avanço do Jovem na Aprendizagem) , em situação de atraso escolar, além da reinserção de uma adolescente LGBT na comunidade escolar.

Movimentos Sociais

No último dia do Simpósio (22), houve o Encontro com representantes dos Movimentos Sociais, além de representantes do Poder Público a fim de debater sobre as perspectivas para a Conferência Nacional de Mulheres e a Conferência Nacional LGBT.

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