“Acham que sou uma menina”: (des)construindo gênero com a série Flapjack

fev 28, 2015
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Quando eu assisto uma série animada como a do “Flapjack”, originalmente conhecido como “The Marvelous Misadventures of Flapjack” (no Brasil, As Trapalhadas de Flapjack), produzido pelo Cartoon Network Studios, me deixa otimista em acreditar que existem produções animadas que conseguem promover uma reflexão crítica sobre um determinado tema, muitas vezes do cotidiano, e consegue abordar de uma forma que desconstrói alguns estereótipos que circulam no imaginário social.

Assim como no episódio intitulado de: “falta alguma coisa”, protagonizado pelo ilustre “Flapjack”, algumas crianças sofrem uma pressão social por não se enquadrarem em alguns padrões socialmente esperados e por não(?) atenderem o ideal masculino ou feminino de nossa cultura – padrões estes empurrados “goela a baixo”. É notório, portanto, o surgimento de condições favoráveis para a disseminação do preconceito, que, consequentemente, engendra atitudes e atos de discriminação, reforçando o estigma social associado aos comportamentos não alinhados ao padrão hegemônico. E a aceitação desses comportamentos são considerados socialmente intoleráveis – porque foi imposto que meninos e meninos tem um modo singular de se comportar e de brincar (assim como brinquedos específicos).

Antes mesmo de nascer, a criança já se encontra imersa em uma cultura que, desde o princípio, determina comportamentos que são considerados como certos e desejados de acordo com o sexo do bebê. Os pais criam uma série de expectativas em relação ao ser que está por vir, menina ou menino, definindo logo de início o que é esperado dessa criança: compram roupas de determinadas cores, decoram o quarto com motivos femininos ou masculinos, escolhem os brinquedos adequados, tudo segundo a descoberta do sexo, aponta Jane Felipe e Bianca Guizzo (2003).

Contudo, a mensagem que quero deixar é que: deixem as crianças serem crianças. Não transfiram seus anseios e preconceitos no modo de brincar e se comportar das crianças. Apenas disponibilizem mecanismos que ajudem no processo de desenvolvimento deles/as.

“Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria  substância”.

Simone de Beauvoir

 

Referência:

GUIZZO, Bianca; FELIPE, Jane. Erotização dos Corpos Infantis na Sociedade de Consumo. Revista Pro-Posições, v. 14, n.3 (42) – set./dez. 2003.

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